segunda-feira, 18 de setembro de 2017


O PROFESSOR COMO INTELECTUAL TRANSFORMADOR - UMA EXPERIÊNCIA DE CAMPO
Certa vez um grupo de estudantes da Unirio saiu a campo com a intenção de encontrar professores e conversar sobre a importância e o papel deste profissional na vida do aluno e na sociedade. O assunto em questão era educação. Como fazer? Como não fazer? O que levar em consideração? O que desconsiderar? Enfim, uma série de pontos que deveriam ser colocados em debate, discutidos e logo vividos na experiência da escola. 
Na universidade esses estudantes e futuros professores liam e conversavam sobre uma série de autores, dentre eles o norte americano Henry A. Giroux, e Paulo Freire uma referência sobre educação no Brasil.
No início da tarde chegaram a uma escola municipal, no bairro do Cachambi, na zona norte da cidade onde encontrariam com a Claudia, uma professora de História que trabalhava ali há 18 anos. Foi a própria Claudia que os recebeu, e os levou a uma sala separada, logo começaram a conversar.
Os estudantes com pressa pois ainda voltariam para a universidade, logo tomaram a palavra, se apresentaram e fizeram a primeira pergunta, assim na lata: “Claudia você se considera uma intelectual?” Claudia olhou bem para eles e disse: “todos nós somos seres intelectuais, Intelectual é tudo aquilo que é ligado ao intelecto, capacidade do pensamento, capacidade de criar de refletir, de certa forma sim, me considero intelectual mas não como os intelectuais, pensadores, vocês entendem? Sei lá. Existem também os pseudo-intelectuais, que são os falsos intelectuais, aqueles que fingem ter conhecimento intelectual, que aparentam ter interesse sobre determinados assuntos, mas que na verdade são robôs programados para repetir as mesmas palavras todos os dias, ah! Eu não, sou assim não. Sim, eu me considero uma intelectual, mas não sei tudo.”

Satisfeitos com a resposta os estudantes logo fizeram a segunda pergunta: “O que significa para você o professor ser um intelectual transformador?” Claudia abriu um sorriso enorme no rosto e foi logo respondendo: “Sabe, na escola a gente passa por muita coisa, muita coisa mesmo, tanto boa como ruim, a escola é um sistema muito complexo, reconheço, mas que pode ser desvendado, entende? Pode ser compreendido e solucionado. Os autênticos intelectuais não são apenas homens e mulheres letrados, são também os mediadores, legitimadores, produtores de ideias e práticas sociais. O professor transformador tem a capacidade de estimular em seus colegas de sala, seus alunos, o pensamento, a entender o propósito das coisas, e não ficar apenas naquela coisa de que 2+2=4 da famosa educação bancária. Um aluno respondeu: “temos pensado bastante sobre essas coisas”. E a Claudia continuou: “ É preciso refletir sobre o mundo, acreditar que eles podem mudar o futuro. Vocês sabiam que a desesperança faz com que muitos percam o interesse pela escola? Não pode! A história é viva, a sociedade está em constante mudança e o mediador, professor, intelectual, o que for, tem e desempenha um papel fundamental nessa história.” Satisfeitos e preocupados com o horário, os universitários agradeceram pela conversa e correram para o ponto, pois lá vinha o ônibus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário