O PROFESSOR COMO INTELECTUAL TRANSFORMADOR - UMA EXPERIÊNCIA DE CAMPO
Certa vez um grupo de estudantes da
Unirio saiu a campo com a intenção de encontrar professores e conversar sobre a
importância e o papel deste profissional na vida do aluno e na sociedade. O
assunto em questão era educação. Como fazer? Como não fazer? O que levar em
consideração? O que desconsiderar? Enfim, uma série de pontos que deveriam ser
colocados em debate, discutidos e logo vividos na experiência da escola.
Na universidade esses estudantes e
futuros professores liam e conversavam sobre uma série de autores, dentre eles
o norte americano Henry A. Giroux, e Paulo Freire uma referência sobre educação no
Brasil.
No início da tarde chegaram a uma
escola municipal, no bairro do Cachambi, na zona norte da cidade onde
encontrariam com a Claudia, uma professora de História que trabalhava ali há 18
anos. Foi a própria Claudia que os recebeu, e os levou a uma sala separada,
logo começaram a conversar.
Os estudantes com pressa pois ainda
voltariam para a universidade, logo tomaram a palavra, se apresentaram e
fizeram a primeira pergunta, assim na lata: “Claudia você se considera uma
intelectual?” Claudia olhou bem para eles e disse: “todos nós somos seres
intelectuais, Intelectual é tudo aquilo que é ligado ao intelecto, capacidade
do pensamento, capacidade de criar de refletir, de certa forma sim, me
considero intelectual mas não como os intelectuais, pensadores, vocês entendem?
Sei lá. Existem também os pseudo-intelectuais, que são os falsos intelectuais,
aqueles que fingem ter conhecimento intelectual, que aparentam ter interesse
sobre determinados assuntos, mas que na verdade são robôs programados para
repetir as mesmas palavras todos os dias, ah! Eu não, sou assim não. Sim, eu me
considero uma intelectual, mas não sei tudo.”
Satisfeitos com a resposta os
estudantes logo fizeram a segunda pergunta: “O que significa para você o
professor ser um intelectual transformador?” Claudia abriu um sorriso enorme no
rosto e foi logo respondendo: “Sabe, na escola a gente passa por muita coisa,
muita coisa mesmo, tanto boa como ruim, a escola é um sistema muito complexo,
reconheço, mas que pode ser desvendado, entende? Pode ser compreendido e
solucionado. Os autênticos intelectuais não são apenas homens e mulheres
letrados, são também os mediadores, legitimadores, produtores de ideias e
práticas sociais. O professor transformador tem a capacidade de estimular em
seus colegas de sala, seus alunos, o pensamento, a entender o propósito das
coisas, e não ficar apenas naquela coisa de que 2+2=4 da famosa educação
bancária. Um aluno respondeu: “temos pensado bastante sobre essas coisas”. E a
Claudia continuou: “ É preciso refletir sobre o mundo, acreditar que eles podem
mudar o futuro. Vocês sabiam que a desesperança faz com que muitos percam o
interesse pela escola? Não pode! A história é viva, a sociedade está em
constante mudança e o mediador, professor, intelectual, o que for, tem e
desempenha um papel fundamental nessa história.” Satisfeitos e preocupados com
o horário, os universitários agradeceram pela conversa e correram para o ponto,
pois lá vinha o ônibus.


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