Certamente você já ouviu essa frase, mas será que se fez essa pergunta? Ou parou para pensar sobre a complexa questão que gira em torno desse assunto? De forma prática e simples, o fato de a grama do vizinho ser sempre mais verde, significa que, aquilo que vem de fora é mais verde, de maior qualidade, tem melhor performance, maior durabilidade, enfim, o de fora é sempre melhor, pelo menos é isso que se quer passar.
Essa ideia produz naqueles que ouvem e a aceitam a necessidade de ser, de possuir para pertencer, é como acreditar que as melhores roupas, os bons acessórios esportivos e as melhores tecnologias digitais estão na Califórnia e são made in USA, será mesmo?
Falando em tecnologias digitais a Apple e suas centenas de I-coisas, a Microsoft, Amazon, sistemas IOS e Android são as gramas mais verdes do momento, os mais desejados, mas qual o motivo disso? São realmente tão bons? É preciso questionar, é necessário refletir sobre essa questão político-ideológica, sobre o que há por trás?
Segundo Paulo Freire a questão que se coloca é: a serviço de quem as máquinas e a tecnologia avançada estão? Quero saber a favor de quem, ou contra quem as máquinas estão postas em uso. Essa parece ser a grande questão, será que a grama do vizinho é realmente mais verde? Ou simplesmente por estar olhando demais para o jardim ao lado, acabamos esquecendo de regar a nossa grama?
O que está por trás dessa hegemonia? Quais são as forças operantes? Quem são os grandes favorecidos com esse mercado? A quem interessa manter a grama ao lado mais V$rdinha? Existe uma força por trás da ideia.
Segundo Richard Stallman, ativista fundador do movimento software livre, esses programas privados são uma espécie de colonização digital. Conceito esse que nos remete a tempos remotos, das colonizações e o resultado não agradou a todos, hoje a colonização é digital mas não menos feroz.
Recentemente o governo brasileiro trocou os softwares livres que eram utilizados em seus sistemas operacionais por softwares privados da Microsoft, trazendo à tona a discussão. Aqueles que defendem a utilização e o desenvolvimento de programas livres alegam que a grande questão não é nem a financeira, mas sim a liberdade, o poder e o controle, que esses sistemas oferecem, como disse Freire, as máquinas trabalham a favor e contra quem? Os benefícios do programa livre seriam muitos, dentre eles, aumentaria o número de pessoas interessadas no assunto, ampliando assim a concorrência, movimentaria a economia local gerando novos empregos e produzindo um impacto social importante, e traria a liberdade para criar as próprias versões do programa e compartilhar com os amigos. O que é impossível com o software privado. A discussão sobre o assunto é longa, e ainda sou leigo, mas sabemos que nem tudo que vem de fora é melhor, existe muita coisa boa sendo pensada e produzida desse lado da cerca, importante porém é regar a grama, cuidar do jardim, isso significa dar condições de trabalho, estar livre de vontades e forças externas e ver assim a grama verdejante desse lado da cerca.

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